| PASSAGEM PARA A VIDA. | |
| Há cerca de um ano, assisti a um filme que me marcou bastante. Chama-se “Homens e Deuses” e é baseado numa história real passada nos anos 90. Uma comunidade de monges cistercienses vive no Norte da África, na Argélia, num período de muita atividade terrorista. Como ramo “pobre” dos beneditinos, os monges levam a vida mais austera que se possa imaginar, prestando serviços à comunidade (muçulmana) que os cerca. Há uma tensão permanente no ar, “temperada” pela beleza das imagens, e de uma prática monástica intensa, onde o canto está sempre presente. Os monges, franceses, não deixam de lembrar aos argelinos o desastre que foi o período colonial. Seria até o caso de perguntar por que eles estão ali. Mas a independência da Argélia não rompeu os laços culturais e históricos. E os monges estão ali para prestar serviço, numa doação total de suas vidas. A tensão também vem do conflito das religiões. Nesse sentido, os monges estão ali quase que como num holocausto – é evidente que eles vão ser mortos no final, em consequência de um atrito como tantos outros. E este é o fio condutor do filme. Piorando o clima político, autoridades argelinas (quase tão violentas quanto os terroristas) sugerem aos monges que se afastem, que se retirem para um lugar mais seguro. É a discussão que os monges vão pôr na mesa. Diante da ameaça concreta, não seria o caso de aceitar as advertências das autoridades e passar um tempo em outros lugares? Tocamos, então, paisagens profundas da alma. Nos monges reunidos em torno de seu superior, percebemos que cada ser humano é um abismo, com seus condicionamentos, seu posicionamento diante da vida e diante da morte. E mergulhamos no mistério da fé. Aquelas dúvidas, aquele questionamento, têm sentido por serem eles seguidores de alguém que deu a vida porque quis fazer isso; que se deu inteiramente aos outros e marchou conscientemente para a morte. É o dilema em que se encontra a comunidade de monges, naquele recanto da África. Ir ou não ir embora? E, a esse dilema, cada um responde de maneira pessoal. Há encontros e conversas ao redor da mesa – como que lembrando a Última Ceia. Mas se o filme é triste, ele transmite a nota mais bela, que é o segredo da Páscoa: não há nada mais bonito neste mundo do que uma doação completa, em que você quebra o círculo de ferro do egoísmo. O amor é mais forte do que a morte. E a Páscoa é passagem para a vida. Feliz Páscoa a todos! Rubem Tadeu C. Perlingeiro Presidente da Diretoria Executiva Nacional da UEB |
quinta-feira, 5 de abril de 2012
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